Afinal de contas, o mundo não é assim tão perigoso!

Uma das primeiras questões que sempre aparecem quando se pensa em viajar, principalmente com as crianças, é sobre os perigos do mundo atual, os riscos que podemos enfrentar e as dificuldades que se encontram pelo caminho. É verdade que as notícias que vemos diariamente não são nada consoladoras e pintam uma realidade violenta e perigosa, mas não podemos esquecer que o mundo não é só o que passa na televisão ou nos jornais, que há muito mais gente boa do que má por aí e que a solidariedade ainda é uma qualidade bem comum no ser humano.

Eu costumo ouvir muito de amigos e conhecidos quando falo sobre o nosso projeto coisas como "Mas e se as crianças ficarem doentes, se pegarem algo na estrada, se houver algum acidente?". Bem, eu acho que a estrada por vezes é mais saudável do que estarmos parados. Como disse Paulo Coelho, "Se você acha a aventura perigosa, experimente a rotina, é letal."

Quando começamos a viajar com o Dimi ainda bebê, os amigos que também tinham bebês ficaram apavorados. Porém, a verdade é que ele, nesses 4 anos de estrada, quase nunca ficou doente. Digo quase porque na nossa última gira pela Europa ele pegou catapora de um amiguinho que fez na Suiça, mesmo ele já tendo tido catapora antes. Mas antes disso, nunca tinha pego nenhum tipo de doença na estrada, pelo contrário, sempre foi muito saudável

As vezes em que estivemos aportados é que foram mais "doentes" digamos assim, pois quando eles entram para a escola começam a surgir todo tipo de doenças e ziquiziras. Posso dizer o mesmo da Layla, que raramente fica doente, exceto por uns resfriados de vez em quando. Ou seja, esse lance de que viajar com as crianças é complicado porque elas podem ficar doentes é muito relativo, pois elas podem ficar doentes dentro de casa também.

Acho muito mais saudável criarmos nossos filhos para o mundo, sem nos preocuparmos demasiado com a proteção deles, pois inevitavelmente eles irão se machucar, e é com os tombos que aprendemos. Outro exemplo bem prático disso é que o Dimi brincando dentro de casa conseguiu arrumar 3 pontos, simplesmente porque se jogou com tanta força no sofá que abriu a testa na quina do mesmo. E a Layla, mais ou menos com a mesma idade, também levou 3 pontos quando abriu a testa caindo na escolinha. Enfim, eles podem se machucar em qualquer lugar.

Sobre os perigos do mundo, claro que quando somos só nós adultos viajando sozinhos com uma mochila nas costas, as coisas podem ser mais simples. Entretanto, as crianças em alguns momentos também fazem aflorar mais a solidariedade das pessoas. Quantas vezes já nos deparamos com pessoas que, ao verem que estava a viajar com as crianças, pararam para nos ajudar. Algumas coisas acabam por se descomplicar, desde arrumar um lugar para dormir, conseguir uma carona na estrada, uma refeição mais barata ou até mesmo um banheiro mais acessível. Além de tudo se tornar uma grande aventura e um grande aprendizado, pois elas vão assimilando desde cedo a dar mais valor a cada pequena conquista do dia a dia.

Portanto, a ideia de segurança da nossa zona de conforto acaba sendo um pouco de ilusão, já que coisas ruins podem acontecer em qualquer lugar. Eu acredito muito na lei da atração. Se você já planeja a sua viagem com as crianças pensando no que pode dar errado, a probabilidade de que algo dê errado é muito maior. O melhor, pra tudo na vida, é sempre pensar pelo lado positivo e imaginar tudo de bom que pode acontecer.

O mundo não só não é tão perigoso como se imagina, como é um lugar muito mais divertido que a nossa casa!


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